Plano de governo para 2027–2030 reúne propostas para segurança pública, trabalho, saúde, educação, impostos, indústria, minerais críticos, energia e transformação digital do Estado
O documento apresentado pelo PT para um eventual novo governo Lula reúne propostas que vão da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 à inteligência artificial no SUS, investimentos em segurança pública, educação em tempo integral, redução do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, indústria, minerais críticos e transformação digital do Estado.
Intitulado “Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil: um país soberano, democrático, desenvolvido, sustentável e criativo”, o documento tem 84 páginas e apresenta diretrizes para o período de 2027 a 2030.
O texto também faz um balanço de medidas e resultados atribuídos ao período de 2023 a 2026. Por isso, é importante separar o que aparece como proposta para o próximo mandato daquilo que o próprio documento apresenta como resultado ou realização do governo atual.
1. Fim da escala 6×1 e jornada de 40 horas sem redução salarial
Uma das propostas mais diretas do documento está no mundo do trabalho. O plano afirma que pretende manter os esforços junto ao Senado para assegurar o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial, nos termos aprovados na Câmara dos Deputados.
O programa também propõe mudanças nas relações de trabalho, combate a formas fraudulentas de terceirização, proteção para trabalhadores de plataformas digitais e regras de transparência sobre decisões tomadas por algoritmos.
O que muda na jornada de trabalho?
A proposta apresentada é reduzir a jornada semanal para 40 horas e acabar com a escala 6×1, mantendo a remuneração dos trabalhadores. A efetivação da medida depende do processo legislativo correspondente.
2. R$ 10 bilhões de investimentos em segurança pública
O plano prevê R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) para que estados e municípios realizem investimentos em equipamentos e infraestrutura de segurança pública.
A proposta está associada ao fortalecimento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, com ações contra tráfico de armas, munições e explosivos, asfixia financeira de organizações criminosas, investigação de homicídios, retomada de territórios e fortalecimento da segurança no sistema prisional.
O documento também propõe um Sistema Nacional de Segurança Pública mais articulado, modernização do SINESP e da Infoseg e ampliação das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs).
R$ 10 bilhões
Recursos previstos no FIIS para investimentos de estados e municípios em equipamentos e infraestrutura de segurança.
União, estados e municípios
O programa propõe maior integração entre os três níveis de governo na política de segurança pública.
FICCOs
O plano prevê ampliar as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado.
Mudança constitucional
O documento propõe revisar as atribuições dos entes federativos na área de segurança pública.
3. Inteligência artificial no SUS para triagem, risco clínico e diagnóstico
A inteligência artificial aparece como ferramenta para ampliar o uso de tecnologia no sistema público de saúde. O plano prevê IA para triagem, priorização de casos graves, regulação baseada em risco clínico e apoio ao diagnóstico em locais onde há escassez de especialistas.
A proposta também inclui teleconsultas, teleorientação e um registro compartilhado de saúde do cidadão, com o objetivo de integrar informações e ampliar o atendimento digital.
4. Farmácia Popular com 100% dos medicamentos gratuitos
Na área de assistência farmacêutica, o programa propõe tornar 100% gratuitos os medicamentos oferecidos pelo Farmácia Popular e ampliar o programa para incluir exames laboratoriais, diagnósticos e monitoramento.
O documento também registra que, em 2025, o Farmácia Popular teria atendido 27,3 milhões de pessoas e disponibilizado 41 medicamentos gratuitamente. Esses números aparecem no próprio plano como balanço do período anterior.
5. 1,8 milhão de novas matrículas em educação em tempo integral
Na educação, o documento informa que, entre 2023 e 2025, foram criadas 1,8 milhão de novas matrículas em educação em tempo integral. Para o próximo período, a proposta é continuar ampliando esse modelo.
O programa também registra apoio a 686 escolas, a implantação de 3.562 estruturas de educação infantil em 2.360 municípios e a conexão de 75% das escolas em parâmetros considerados adequados pelo documento.
Meta de 80% de alfabetização na idade adequada
Outra meta apresentada é alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade adequada.
O plano também propõe continuidade de políticas como o Pé-de-Meia e ações de formação de professores e expansão da educação profissional.
6. 30 Casas da Mulher Brasileira e 15 Centros de Referência
Para as políticas voltadas às mulheres, o programa prevê concluir 30 Casas da Mulher Brasileira e 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira.
Também aparecem a expansão das Salas Lilás e a distribuição de kits para estados com equipamentos destinados ao monitoramento de agressores.
Os números de 30 Casas e 15 Centros são citados diretamente no documento dentro das medidas previstas para a política de proteção e atendimento às mulheres.
7. Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil
Na área tributária, o plano propõe isenção do Imposto de Renda para pessoas que recebem até R$ 5 mil por mês, dentro da estratégia apresentada para reduzir desigualdades e alterar a distribuição da carga tributária.
O documento também defende a continuidade da reforma tributária sobre o consumo e afirma que a mudança deve ampliar a justiça tributária.
8. R$ 1,3 trilhão em investimentos do Novo PAC até o fim de 2026
Um dos maiores números do documento é o de R$ 1,3 trilhão em investimentos previstos ou mobilizados pelo Novo PAC até o fim de 2026.
O valor aparece relacionado a obras e investimentos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, energia, infraestrutura urbana, habitação, saneamento, saúde, educação, inclusão digital e conectividade.
9. Minerais críticos e produção de lítio, nióbio, grafite, cobre, níquel, urânio e terras raras
O programa coloca os minerais críticos dentro de uma estratégia de neoindustrialização e soberania tecnológica.
Entre os minerais citados estão lítio, nióbio, grafite, cobre, níquel, urânio e terras raras.
A proposta é desenvolver cadeias produtivas no país para agregar valor aos recursos minerais, em vez de concentrar a atividade apenas na extração e exportação da matéria-prima.
10. Nova indústria com inteligência artificial, minerais críticos e tecnologia
Na política industrial, o documento propõe aprofundar a neoindustrialização, combinando inteligência artificial, minerais críticos, tecnologia, produtividade, empregos qualificados e redução de emissões.
O plano também cita a Nova Indústria Brasil e o Plano Mais Produção. O documento informa que essas políticas disponibilizaram R$ 860 bilhões em financiamento no período 2023–2026.
Para 2027–2030, a proposta é ampliar a transformação tecnológica e a produção de maior valor agregado no país.
11. Energia solar, eólica, petróleo, gás e combustíveis de baixo carbono
O plano propõe combinar expansão de energia solar e eólica com petróleo e gás, gás natural, biometano e biocombustíveis.
Também aparecem armazenamento de energia, maior flexibilidade do sistema e expansão de combustíveis de baixo carbono e hidrogênio.
A diretriz apresentada é de transição progressiva para uma economia de menor emissão de carbono, sem abandonar no curto prazo as fontes energéticas que o documento considera estratégicas.
12. Expansão do Gov.br e criação do Conselho Nacional de Soberania Digital
A transformação digital aparece como uma das frentes transversais do programa. O documento propõe ampliar o Gov.br, a alfabetização digital e políticas de soberania digital.
Também está prevista a criação de um Conselho Nacional de Soberania Digital e o tratamento de dados como ativos estratégicos do país.
Na prática, a proposta é ampliar a quantidade de serviços públicos que podem ser acessados digitalmente, ao mesmo tempo em que o programa defende regras para proteção e uso estratégico dos dados.
13. R$ 50 bilhões em emendas parlamentares e proposta de mais controle
O documento afirma que as emendas parlamentares alcançaram R$ 50 bilhões em 2026, equivalentes a aproximadamente um quinto dos recursos discricionários do Poder Executivo.
Diante desse cenário, o programa propõe mudanças relacionadas à transparência, controle e acompanhamento das emendas.
O número de R$ 50 bilhões aparece no documento como referência ao volume de emendas de 2026, e não como uma nova autorização de gasto para 2027–2030.
14. Propostas para 2027–2030 e resultados apresentados de 2023–2026
O documento mistura, ao longo de suas 84 páginas, propostas para um eventual novo mandato com números e resultados atribuídos ao período de 2023 a 2026.
Propostas para 2027–2030
Fim da escala 6×1, jornada de 40 horas sem redução salarial, R$ 10 bilhões para segurança, IA no SUS, ampliação da educação integral, políticas para mulheres e estratégia de neoindustrialização.
Metas apresentadas
Alcançar 80% de alfabetização na idade adequada e ampliar políticas e estruturas previstas para saúde, educação e proteção social.
Resultados de 2023–2026
Números como 1,8 milhão de novas matrículas em tempo integral e 27,3 milhões de pessoas atendidas pelo Farmácia Popular em 2025 são apresentados pelo próprio documento como realizações do período.
Medidas que dependem de implementação
Parte das propostas depende de orçamento, regulamentação, legislação, Congresso Nacional, governos estaduais e municipais ou mudanças constitucionais.
15. Fortalecimento do Estado, redução das desigualdades e transformação da economia
A estrutura do documento combina ampliação de políticas sociais, redução de desigualdades, fortalecimento do Estado, transformação digital, política industrial, transição energética, integração internacional e mudanças na organização da segurança pública e do trabalho.
Em diferentes pontos, o programa mistura propostas para 2027–2030 com números usados para apresentar resultados do período 2023–2026. Essa diferença é importante para não transformar balanços do governo atual em promessas para um eventual novo mandato.
Quanto custará implementar as propostas?
O programa apresenta propostas em várias áreas e alguns valores expressivos. A próxima questão é quanto custará implementar as novas medidas, de onde virão os recursos e quais propostas dependerão de aprovação do Congresso Nacional ou de mudanças constitucionais.
Resumo das principais propostas para 2027–2030
O plano de governo apresenta propostas para trabalho, segurança, saúde, educação, mulheres, tributação, indústria, minerais críticos, energia e digitalização do Estado.
Entre os principais números estão R$ 10 bilhões para investimentos em segurança pública, 1,8 milhão de novas matrículas em tempo integral registradas no período 2023–2025, isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, R$ 1,3 trilhão em investimentos do Novo PAC previstos ou mobilizados até o fim de 2026 e R$ 50 bilhões em emendas parlamentares em 2026.
As propostas para 2027–2030 são compromissos apresentados no documento de campanha. A implementação de cada medida dependerá, conforme o caso, de orçamento, legislação, regulamentação, execução administrativa e aprovação pelo Congresso Nacional.
“Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil: um país soberano, democrático, desenvolvido, sustentável e criativo” — documento de diretrizes do programa de governo para 2027–2030.
Documento analisado: Programa de governo do PT/Lula, 84 páginas.
Observação editorial: Os números e realizações referentes a 2023–2026 são apresentados no próprio documento como balanço do período. As medidas para 2027–2030 são tratadas como propostas, metas ou diretrizes, conforme a formulação original.
