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TREVA, Tesouraço e R$ 900 bilhões: o que Flávio Bolsonaro propõe para o Brasil até 2030

Publicado em 27/09/2026 às 18:46 · Sara Caslow
TREVA, Tesouraço e R$ 900 bilhões: o que Flávio Bolsonaro propõe para o Brasil até 2030

Plano de governo do candidato do PL reúne propostas para segurança, economia, impostos, saúde, educação, infraestrutura, minerais críticos e mudanças institucionais

Por Redação · Política · Eleições 2026

O plano de governo de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República reúne propostas que vão da segurança pública e do sistema prisional à redução de impostos, infraestrutura, saúde digital, educação, minerais críticos e mudanças na relação entre os Poderes.

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Intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso — Diretrizes do Plano de Governo 2027–2030”, o documento tem 76 páginas e apresenta uma série de compromissos para um eventual governo entre 2027 e 2030.

O documento é dividido em grandes eixos, entre eles “Brasil sem Medo”, “Brasil por Elas”, “Brasil sem Fila”, “Brasil Mais Barato”, “Brasil que Prepara”, “Brasil que Prospera”, “Brasil que Cresce”, “Brasil que Cumpre a Constituição” e “Brasil que Não Volta Atrás”.

O que chama atenção no documento? A proposta combina endurecimento da política de segurança, redução de impostos, diminuição da estrutura administrativa, investimentos em infraestrutura, digitalização dos serviços públicos e mudanças institucionais.

1. Segurança pública é o primeiro grande eixo

O plano começa pelo chamado “Brasil sem Medo”. A proposta apresentada é de uma política de segurança pública mais integrada e com endurecimento das punições para determinados crimes.

O documento propõe declarar PCC, Comando Vermelho, milícias e outras facções como organizações narcoterroristas, além de bloquear ativos ligados ao crime organizado e ampliar a atuação conjunta das forças de segurança.

Também aparece a proposta de criação de um Sistema Nacional de Fronteira, envolvendo Exército, Marinha e Força Aérea Brasileira.

500 mil novas vagas no sistema prisional

Uma das metas mais expressivas do plano é criar 500 mil novas vagas no sistema prisional em quatro anos.

Mauro Albuquerque, secretário da Administração Penitenciária, no presídio de segurança máxima (Foto: Aurelio Alves)
Mauro Albuquerque, secretário da Administração Penitenciária, no presídio de segurança máxima (Foto: Aurelio Alves)

O documento também prevê cinco novos presídios federais de segurança máxima.

500 mil

novas vagas prisionais previstas em quatro anos.

5

novos presídios federais de segurança máxima propostos.

1 milhão+

novas câmeras previstas para um sistema nacional de reconhecimento facial.

16 anos

idade para a qual o plano propõe reduzir a maioridade penal.

Redução da maioridade penal

Adolescente preso, suspeito de assaltar ônibus no Espírito Santo — Foto: Marcelo Prest/ A Gazeta
Adolescente preso, suspeito de assaltar ônibus no Espírito Santo — Foto: Marcelo Prest/ A Gazeta

O plano propõe apoiar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

Também propõe responsabilização de maiores de 14 anos que cometam crimes graves, como estupro, tráfico, tortura e assassinato.

Castração química

Plano de segurança de Flávio Bolsonaro inclui medida para estupradores; juristas apontam entraves constitucionais e práticos  • Google •
Plano de segurança de Flávio Bolsonaro inclui medida para estupradores; juristas apontam entraves constitucionais e práticos • Google •

Outra proposta é a implementação da castração química para condenados por estupro e abuso de crianças, conforme descrito no documento.

Reconhecimento facial em escala nacional

Sistema da Polícia Federal armazena dados biométricos  • Fernando Frazão/Agência Brasil
Sistema da Polícia Federal armazena dados biométricos • Fernando Frazão/Agência Brasil

O plano prevê a criação do chamado “Muralha Brasileira”, um sistema nacional de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais.

A proposta prevê ainda mais de 1 milhão de novas câmeras espalhadas pelo país.

2. O “Tesouraço” para reduzir o tamanho do Estado

Na administração pública, o plano utiliza o termo “Tesouraço” para apresentar uma agenda de redução de despesas e revisão da estrutura do Estado.

Entre as propostas estão reforma administrativa, revisão de normas, profissionalização da gestão pública, combate a desperdícios e redução da estrutura ministerial.

O documento também apresenta a proposta de cortar pelo menos dez ministérios.

A lógica apresentada pelo plano Reduzir despesas e burocracia para abrir espaço para redução de impostos, equilíbrio fiscal e maior participação do setor privado na economia.

3. Menos impostos e mudanças na reforma tributária

Outro eixo do programa é chamado de “Brasil Mais Barato”.

A proposta inclui redução da tributação sobre consumo e produção, revisão da reforma tributária e medidas para diminuir custos relacionados à energia e aos combustíveis.

O documento também defende uma redução do IVA e mudanças na estrutura tributária brasileira.

A proposta precisa ser analisada dentro do cenário fiscal do país: reduzir impostos ao mesmo tempo em que se busca equilíbrio das contas públicas exigiria compatibilizar renúncias de receita, despesas, resultado fiscal e trajetória da dívida.

4. R$ 900 bilhões em infraestrutura

Uma das metas mais objetivas do programa aparece na área de infraestrutura.

R$ 900 bilhões

É o volume de investimentos em infraestrutura previsto pelo plano ao longo de quatro anos, envolvendo rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.

O modelo apresentado prevê participação do setor privado, concessões, parcerias público-privadas, financiamento e mecanismos de estruturação de projetos.

Entre as propostas citadas estão investimentos em ferrovias, corredores logísticos e projetos de integração regional.

5. Minerais críticos e terras raras entram no plano

Um dos capítulos que pode ter impacto estratégico para a economia brasileira trata dos minerais críticos.

Imagem mostra projeto Serra Verde  • Divulgação/Serra Verde
Imagem mostra projeto Serra Verde • Divulgação/Serra Verde

O documento cita minerais como lítio, nióbio, grafite, cobre, níquel, urânio e terras raras.

A proposta não se limita à extração. O plano defende o desenvolvimento de cadeias produtivas capazes de agregar valor aos recursos minerais dentro do Brasil.

A estratégia é relacionada a setores como tecnologia, energia, baterias, indústria e transição energética.

6. Meta de crescimento de 4% ao ano

O plano estabelece como objetivo alcançar crescimento sustentado de 4% ao ano ao longo da próxima década.

Para isso, apresenta uma combinação de investimento privado, infraestrutura, energia, agronegócio, indústria, tecnologia, abertura comercial e segurança jurídica.

Importante: crescimento de 4% ao ano é uma meta apresentada pela candidatura. Não significa uma taxa de crescimento garantida. O resultado dependeria de fatores econômicos nacionais e internacionais e das políticas efetivamente implementadas.

7. “Brasil por Elas”: uma estrutura nacional de atendimento às mulheres

O plano dedica um eixo específico às mulheres, chamado “Brasil por Elas”.

Uma das principais propostas é a criação da Central da Mulher, reunindo em um mesmo espaço serviços que atualmente podem estar distribuídos por diferentes órgãos.

  • acolhimento e proteção;
  • orientação jurídica;
  • apoio psicológico;
  • saúde preventiva;
  • qualificação profissional;
  • emprego;
  • empreendedorismo;
  • crédito;
  • renegociação de dívidas;
  • regularização da casa;
  • acesso a benefícios.

O plano também prevê unidades itinerantes para atender regiões mais distantes, inclusive por meio de caminhões e barcos adaptados.

ClarIA

Outra proposta é a ClarIA, assistente virtual baseada em inteligência artificial.

Segundo o plano, a ferramenta poderia orientar mulheres sobre medidas protetivas, exames, apoio psicológico, emprego, crédito e outros serviços.

“Ganha, Ganha”

O programa também apresenta um sistema voluntário de pontuação financeira chamado “Ganha, Ganha”.

A proposta prevê que determinadas ações, como concluir cursos, trabalhar regularmente, poupar e manter pagamentos em dia, possam gerar pontuação positiva.

Essa pontuação poderia ser convertida em benefícios como juros menores, cashback e acesso facilitado ao crédito.

8. Saúde: SUS digital e prontuário eletrônico

Na saúde, a estratégia apresentada é fortemente baseada em tecnologia.

  • agendamento por inteligência artificial;
  • digitalização do SUS;
  • prontuário eletrônico único;
  • telessaúde;
  • exames preventivos;
  • utilização de horários ociosos da rede privada;
  • modernização de hospitais universitários;
  • entrega de medicamentos em domicílio.

O objetivo apresentado é integrar informações e reduzir burocracia e tempo de espera no atendimento.

9. Educação: método fônico, ensino integral e escolas cívico-militares

Na educação, o plano propõe priorizar o método fônico na alfabetização.

Cláudio Postay / PMC-ES

Também aparecem propostas de escolas em tempo integral, reforço escolar, capacitação contínua de professores, ensino técnico, economia digital no currículo e gestão escolar por resultados.

O documento também prevê escolas cívico-militares e utiliza a expressão “escola sem doutrinação”.

10. Flávio propõe mudanças no STF e no sistema político

Um dos capítulos mais sensíveis do documento é “Brasil que Cumpre a Constituição”.

O plano apresenta propostas para limitar decisões monocráticas de ministros do STF e ampliar a atuação colegiada da Corte.

Também aparecem propostas relacionadas ao foro privilegiado, às regras de indicação para o Supremo e à estrutura do Judiciário.

Outra proposta é o fim da reeleição para presidente da República.

Um ponto importante: várias dessas mudanças não poderiam ser implementadas apenas por decisão presidencial. Dependendo da medida, seria necessária aprovação do Congresso e, em determinados casos, alteração constitucional.

11. O que o plano diz sobre liberdade de expressão?

O documento apresenta um eixo chamado “Tesouraço na Censura”.

A proposta é revogar atos considerados pela candidatura como instrumentos de censura e acabar com estruturas estatais que, segundo o próprio plano, poderiam funcionar como mecanismos de vigilância ou punição sobre manifestações.

O documento relaciona essa proposta à defesa da liberdade de expressão e do direito de crítica.

O que é proposta, o que é dado e o que ainda precisa ser demonstrado?

Essa distinção é essencial para entender o documento.

É proposta

500 mil novas vagas prisionais, cinco novos presídios federais, redução da maioridade penal, corte de ministérios, redução de impostos, R$ 900 bilhões em infraestrutura e mudanças institucionais.

É meta

Crescimento econômico sustentado de 4% ao ano durante a próxima década.

É afirmação da candidatura

As interpretações econômicas, fiscais e políticas utilizadas para justificar determinadas medidas do plano.

Ainda exige análise

Quanto custaria implementar integralmente todas as propostas e quais seriam suas fontes de financiamento.

O que está por trás do plano?

A estrutura do documento apresenta uma visão de governo que combina endurecimento da política de segurança, redução da estrutura estatal, redução de impostos, digitalização dos serviços públicos, estímulo ao investimento privado e mudanças institucionais.

O próprio plano define sua orientação como liberal, conservadora e reformista.

Mas existe uma diferença importante entre apresentar uma proposta e conseguir implementá-la.

Medidas relacionadas a orçamento, impostos, estrutura administrativa, legislação penal e mudanças constitucionais dependem de diferentes processos de aprovação e execução.

A pergunta que fica

O plano apresenta metas ambiciosas e mudanças profundas em diversas áreas do Estado brasileiro. A próxima etapa da investigação é verificar quanto custaria colocar cada uma delas em prática, de onde sairia o dinheiro e quais dependeriam do Congresso Nacional.

Em resumo

O plano de governo de Flávio Bolsonaro para 2027–2030 apresenta uma agenda ampla, com propostas que atingem segurança pública, sistema prisional, impostos, administração pública, infraestrutura, minerais críticos, saúde, educação, mulheres, tecnologia e instituições.

Entre os números e metas que mais chamam atenção estão 500 mil novas vagas no sistema prisional, mais de 1 milhão de câmeras, R$ 900 bilhões em infraestrutura e uma meta de crescimento de 4% ao ano.

As medidas são propostas de campanha. Sua implementação dependeria, conforme o caso, de orçamento, regulamentação, atos administrativos, legislação aprovada pelo Congresso e mudanças constitucionais.

Fontes:
Plano de Governo 2027–2030 de Flávio Bolsonaro; Tribunal Superior Eleitoral (TSE); informações oficiais disponibilizadas pela candidatura.

Documento analisado: “Para o Brasil Vencer o Atraso — Diretrizes do Plano de Governo 2027–2030”.

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